MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO


Coração Santo

O coração é o primeiro órgão que se desenvolve durante a gestação. Isso porque o sistema cardiovascular é essencial para oferecer nutrientes e oxigênio para o embrião em desenvolvimento e para eliminação de dióxido de carbono e restos metabólicos.


Logo nas primeiras semanas de desenvolvimento do embrião, o coração já começa a se formar a partir do acúmulo de células chamadas mesenquimais. Até pouco tempo se acreditava que depois do 21º dia de gestação o coração tinha suas primeiras batidas. No entanto, pesquisas recentes revelaram que isso pode ocorrer ainda mais cedo: o coraçãozinho do bebê pode bater pela primeira vez já aos 16 dias de gravidez.


No Antigo Testamento, a palavra coração humano (leb), tem uma dimensão fisiológica e antropológica: ao mesmo tempo em que indica o órgão anatômico, indica, também, a sede dos sentimentos, das emoções, dos desejos e das aspirações.


O coração não designa uma parte ou uma dimensão do ser humano, mas o representa em sua totalidade. O ser humano, todo, é coração. 


Em sintonia com o Antigo Testamento, o Novo Testamento, com o vocábulo grego kardia, conserva significado análogo ao termo hebraico leb.   


No plano cristológico, o coração de Jesus Cristo é o símbolo da integralidade de sua pessoa, história e missão. A devoção ao coração de Jesus não significa um culto dirigido pontual e especificamente ao seu coração fisiológico, enquanto órgão divorciado da sua totalidade corpórea, humana e divina. Não é culto a um membro da anatomia de Jesus Cristo, isolado do conjunto da história de sua vida e de seu mistério. O coração é o símbolo-realidade da totalidade humano-divina de Jesus Cristo.


Segundo o Papa Pio XII, na encíclica Haurietis aquas (1956)


A veneração ao coração de Jesus funda-se no fato de que o seu coração, sendo parte nobilíssima da natureza humana, está hipostaticamente, perfeitamente, unido à pessoa do Verbo de Deus. Portanto, é mister tributar-Lhe o mesmo culto de adoração com que a Igreja honra a pessoa do próprio Filho de Deus encarnado (12).


Por meio dessa devoção tem-se acesso aos principais mistérios da fé cristã: à pessoa de Jesus Cristo, à Trindade, à Igreja, aos sacramentos etc. No coração de Jesus esta abrigada a história da relação de Deus com os seres humanos e a história da relação destes com Deus. Assim, como onde está uma Pessoa Divina da Trindade está toda a Trindade, logo a devoção ao coração de Jesus Cristo, enquanto símbolo de sua realidade-totalidade, é uma adoração à própria Trindade. Adorando o coração de Jesus Cristo, eu adoro o Deus-comunhão que assumiu radicalmente a condição humana. O coração de Jesus é símbolo do mistério trinitário do Criador. Nele, está condensada a história de um Deus que fez comunhão com os seres humanos. É símbolo real da história do amor do Pai pela humanidade.


Isaías profetizou: tirareis águas com alegria das fontes do Salvador (Is 12,3). Porém onde se encontra(m) esta(s) fonte(s)?


O Evangelista João nos dá a resposta: ...um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. (Jo 19,34). A fonte, portanto, é o Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo! É o seu lado aberto! Na Cruz jorrou sangue e água! Vida e Purificação! Batismo e Eucaristia! Comunhão e Avivamento!


Esta água é o Espírito Santo. Esta água provém das fontes do Coração de Jesus. Ele roga ao Pai em nosso favor e nos envia seu Santo Espírito. O próprio Cristo nos ensina esta verdade quando diz: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Jo 7,37-38). O Coração de Jesus é Fonte de água viva. Esta água viva é amor, é o amor de Deus. 


Este Amor do qual Jesus nos Revela em sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição; este Amor, expresso no ápice de sua entrega na Cruz, pode ser encontrado em algumas "fontes" específicas: na oração, nas Escrituras, na Tradição, na Igreja, na Liturgia, nos Sacramentos e no serviço da caridade!


Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve (Mt 11,28-30). Com essas palavras Jesus nos indica a beleza de aproximar-se d’Ele e descansar no seu coração manso e humilde. Esta Verdade que o Evangelista Mateus nos revela sempre esteve presente, aos longos dos séculos, na Igreja.


Todas as 12 promessas de Jesus à Santa Margarida Maria de Alacoque tem por fundamento este versículo e expressam essa Verdade.


1ª Promessa: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de Meu Sagrado Coração”;


2ª Promessa: “Eu darei aos devotos do Meu Coração todas as graças necessárias ao seu estado”;


3ª Promessa: “Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias”;


4ª Promessa: “Eu os consolarei em todas as suas aflições”;


5ª Promessa: “Serei refúgio seguro na sua vida e, principalmente, na hora da sua morte”;


6ª Promessa: “Lançarei bênçãos abundantes sobre os seus trabalhos e empreendimentos”;


7ª Promessa: “Os pecadores encontrarão, no meu Coração, fonte inesgotável de misericórdia”;


8ª Promessa: “As almas tíbias se tornarão fervorosas pela prática dessa devoção”;


9ª Promessa: “As almas fervorosas subirão, em pouco tempo, a uma alta perfeição”;


10ª Promessa: “Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais endurecidos”;


11ª Promessa: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no Meu Coração”;


E a grande Promessa:


12ª Promessa: “A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras, nove meses consecutivos, Eu darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.


A importância delas consiste, diz o Papa Pio XII, em que – ao mostrar o Senhor o seu coração sacratíssimo – de modo extraordinário e singular quis atrair a consideração dos homens para a contemplação e a veneração do amor misericordioso de Deus para com o gênero humano (Haurietis Aquas nº 52).


O Papa Pio XI, dizia que A espiritualidade do Coração de Jesus é a síntese de toda religião Cristã e o caminho de uma vida mais santa e perfeita.


O Papa São João Paulo II dizia que a nova Evangelização, à luz do Sagrado Coração de Jesus, deve conscientizar o mundo de que o Cristianismo é a religião da misericórdia, da esperança e do amor.


O Papa Bento XVI ressaltou a tarefa sempre atual para os cristãos de continuar e aprofundar sua relação com o Coração de Jesus para reavivar a fé no amor salvífico de Deus. Para o Pontífice, o lado transpassado do Redentor é a fonte para alcançar o conhecimento verdadeiro de Jesus Cristo e compreender o que significa conhecer em Jesus Cristo o amor de Deus, experimentá-lo tendo o olhar fixo nele, até viver completamente da experiência de seu amor, para poder testemunhá-lo aos demais.


O Papa Francisco, ao se referir sobre a festa ao Sagrado Coração de Jesus disse ela é a festa do amor de Deus em Jesus, do amor d’Ele pelo ser humano. 



Recorramos ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Recorramos a esta Fonte de Graça! 


Um abençoado mês do Sagrado Coração!


Pe. Gilson Sobreiro, pjc

Fundador da Fraternidade O Caminho



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