Missionários da Ternura de Deus

(Por ocasião do nosso aniversário de 18 anos)

O mês de outubro é um mês muito especial para nós. É o nosso mês marrom. Isso porque comemoramos no dia 4, São Francisco de Assis e no dia 23, nosso aniversário de fundação. Podemos acrescentar uma terceira motivação: outubro é o mês em que a Igreja celebra a sua missionariedade. Marrom é cor do hábito de Francisco. É a cor da nossa Fraternidade. É a cor da missão. A Igreja é enviada a missionar por toda a terra (que é marrom).

A Igreja peregrina é por sua natureza missionária (Ad Gentes 2). Ela existe para a missão. Foi esse o mandato que recebeu do Senhor desde as suas origens: Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos (Mt 28, 19).

Jesus - o enviado do Pai - para salvar o mundo, envia, também, a sua Igreja para continuar a sua obra redentora: Como tu me enviaste ao mundo, também, eu os enviei ao mundo (Jo 17, 17).

Na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, chamada de Carta Magna da Evangelização do mundo contemporâneo, o Papa Paulo VI diz que evangelizar, constitui de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar... (14).

Ser cristão é ser missionário. Todos os cristãos, sem exceção, são chamados a evangelizar. O verso de uma antiga canção católica traduz de maneira simples a força dessa afirmação: O Evangelho não pode ficar parado, vou anunciá-lo esta é a minha obrigação, a messe é grande e precisa de operário, vou cooperar na Evangelização. Sou mensageiro enviado do Senhor, onde houver treva irei levar a luz, também direi a todos que Deus é Pai, anunciando a mensagem de Jesus.

O Apóstolo Paulo foi preciso ao falar sobre a missão do cristão: Anunciar o Evangelho não é glória para mim, é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! Se o fizesse de minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma missão que me foi imposta (1Cor 9, 16-17).

Somos chamados a encarnar no mundo o modo de existir e de agir de Jesus; a assumir o seu estilo de vida, adotando as suas atitudes, assimilando a sua escala de valores. Guiados pela certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la (Alegrai-vos 5).

Nossa Regra, ao abordar o tema da missão, já deixa claro no seu primeiro parágrafo (57) que assumir a vida de Jesus – Iesus Totus – é assumir a sua missão: Assumindo plenamente a sua vida, assumimos, também, plenamente sua missão: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres... (Lc 4,18).

Assumimos seu amor incondicional pelo fraco: ...escolheu o que é fraco no mundo para envergonhar o que é forte (1Cor 1, 27); pelo humilde: e Deus escolheu os humildes, e os desprezados, os que nada são, para reduzir a nada os que são (1Cor 1,28); pelo pecador: Não vim chamar os justos e sim os pecadores (Mt 9,13); pelo perdido (Mt 18,11); pelos pequeninos: Deixai vir a mim os pequeninos... (Mt 19,14); pelo últimos: ...porque os últimos serão os primeiros (Mt 20,16); pelo rebelde (Lc 15,11-ss); pelo repugnante (Mc 1,40); pelo violento (Mc 5,1-20); pelo desprezado (Mc 3,1-5; 5,25-34; Lc 13,10-13); pelo silenciado (Mc 10,46-52); pelo prostituído (Lc 7,36-50); pelo esquecido (Lc 10,30-37); pelo condenado (Jo 8,3-11), (NF 58).

Atraídos por Jesus queremos, também, atrair os homens e as mulheres do nosso tempo a Ele; ao seu coração terno e misericordioso, mas, para isso, precisamos continuar saindo rumo as periferias geográficas e existenciais, animados pela força da evangélica expressão foste me ver (Mt 25,36) não nos detenhamos diante dos obstáculos, dos riscos, das repugnâncias e dos julgamentos de ninguém. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos... (1 Cor 9, 22). 

Não fomos chamados por Jesus para julgar o mundo, mas para despertar nele a esperança. Não nos tornamos cristãos para condená-lo, mas para libertá-lo. Não fomos enviados para apagar a mecha que está se extinguindo, mas para acender a fé que está querendo brotar.

Queremos render graças ao bom Deus pelos nossos 18 anos de existência. Queremos fazer isso prestando a ti, ó Deus de Ternura, toda nossa orante gratidão:

Obrigado Senhor pela nossa vida missionária.

Obrigado Senhor por todas as pessoas que tiveram a oportunidade de se encontrarem Contigo através do nosso carisma.

Obrigado por todos os pobres que encontraram em nós uma família acolhedora e a ajuda necessária para se libertarem de todas as formas de condicionamentos que os impediam de serem valorizados como filhos teus e membros da família humana.

Obrigado pelo rosto plurivocacional e pluricultural de nossa Fraternidade. 

 

Obrigado pela perseverança e testemunho dos primeiros, assim como, por todos aqueles que nos ajudaram ao longo desses anos.

Obrigado pela nossa comunhão eclesial e por sermos as mãos da tua Igreja misericordiosa que a todos acolhe e ama.

Estamos ao teu dispor Jesus e como membros da tua Igreja missionária, nos colocamos em total espírito de disponibilidade para em nome dela, sermos enviados aos mais pobres de todo o mundo (cf. NF 81).

Pe. Gilson Sobreiro, pjc

São Paulo, 17 de setembro de 2019

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