Servidores da Igreja e dos Pobres


1. A imitação de Cristo


O Cristão tem sempre olhos fixos em Jesus. Ele é o Senhor da Messe é Pastor do rebanho; é Ele que suscita e chama os colaboradores. O Diácono é discípulo-missionário do Cristo servidor, isto é, d'Aquele que veio "não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida". Vindo ao mundo do seio da Trindade Santa, Ele é a imagem visível de Deus e missionário do Pai. Anunciou a chegada do Reino de Deus e sua justiça e escolheu os pobres como preferidos segundo o critério do amor do coração compassivo e misericordioso de Deus. Ressuscitado, vitorioso do pecado e da morte, autor e consumador da Fé, sumo e eterno sacerdote e pedra angular do edifício espiritual que é a Igreja.


2. Homens do serviço: servidores da Igreja, servidores dos pobres, " servos de todos" (cf. Homilia pontifical).


O sentido mais básico do diaconado é que, "fortalecidos com dom do Espírito Santo, (os diáconos) deverão ajudar o Bispo e seu Presbitério no serviço da Palavra, do altar e da caridade" (homilia pontifical). Exercem os serviços inerentes aos ministros ordenados (que chamamos na Igreja de tríplice múnus).


a) Os diáconos estão a serviço do altar. O Salmo de hoje exalta a presença do altar de Deus: "Vossos altares, ó Senhor Deus do universo; vossos altares, ó meu Rei e meu Senhor (Sl 83). Estão a serviço da casa de Deus: “Quão amável, ó Senhor, é vossa casa; quanto a amo, Senhor Deus do Universo... Na verdade, um só dia em vosso templo vale mais do que milhares fora dele!” (Sl 83):


b) Os diáconos estão a serviço da Palavra. Por isso estabelecem uma relação profunda com a Palavra de Deus. Com efeito, quando recebem o Livro dos Evangelhos durante o Rito de Ordenação, o diácono ouve a bela exortação: “transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares”. Como nos recorda o Apóstolo São Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16). O que anunciamos é Palavra de Salvação; e o anúncio para ser contundente precisa vir acompanhado do testemunho de vida. Na Prece de Ordenação, pedimos a Deus que “o exemplo de sua vida desperte a imitação do povo”.


c) Os diáconos são homens da Caridade. E que a caridade por eles exercida seja sincera e sem hipocrisia! São homens que vivem a alegria do serviço: Há mais alegria em dar que receber... Deus ama quem dá com alegria... Eis que estou no meio de vós como aquele que serve...


3. Virtudes do Diácono – Meios para Perseverar


É a espiritualidade do serviço. O diácono é chamado a exercer a solicitude para com os enfermos e pobres, mansidão no trabalho, constância na oração; a fidelidade no ministério, a pureza de coração, a humildade e o amor.


No Evangelho, Cristo exorta à vigilância como requisito para a perseverança: que os vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. E proclama a bem-aventurança para os que vigilantes perseverarem: Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando chegar... Felizes serão se assim os encontrar... Equivale a dizer: “Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor!”


E ainda exalta a beleza, sobretudo tratando-se de consagrados na vida religiosa, de se viver virtudes evangélicas da pobreza, obediência e castidade. Para os casados, a castidade é vivida no matrimonio e se traduz como fidelidade. Os que almejam o sacerdócio abraçam o estado do celibato como “fonte de fecundidade no mundo”.


4. Sacramentalidade do Ministério:


A ordenação diaconal eleva a virtude do Serviço ao grau de Sacramento. O gesto sacramental da imposição das mãos do celebrante transmite o dom da graça que acompanhará indelevelmente o ministro até o final da existência.


A oração da comunidade e a imposição das mãos sinalizam a presença do Espirito Santo que torna os diáconos homens “consagrados ao serviço da Igreja”, aptos para viverem “uma vida segundo o Espírito”! Quando da escolha dos primeiros diáconos, o critério é que os escolhidos sejam “homens cheios do Espirito Santo e da Sabedoria”.


5. Vida e Missão da Fraternidade dos Pobres de Jesus


O momento é propício para rendermos graças a Deus pela vida e pela missão da Fraternidade dos Pobres de Jesus Cristo. Tudo teve início há dezoito anos, por inspiração de Pe. Gilson Sobreiro e Ir. Serva. Um carisma bem claro: evangelizar a partir dos pobres, na radicalidade da pobreza evangélica que leva a viver com eles, identificar-se com eles e trazê-los para dentro de suas comunidades. E a cada dia cresce o numero de freis, irmãs, filhos prediletos, leigos e leigas participantes do carisma. E de casas missionárias espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Vão surgindo as vocações sacerdotais que são ao mesmo tempo vocações missionárias. Já são vários padres: Mikael e Servo em Mogi das Cruzes; Kephas no Chile, Boaventura na África, Anawin em Manaus, Tarcísio no Paraná. Louvado seja Deus! A semente foi lançada em terra boa; germinou, cresceu, segue produzindo frutos que comprovam que é verdadeira a alegria do Evangelho.


A ordenação diaconal que ora acontece é mais um sinal. As casas religiosas e as comunidades de missão se multiplicam. Continuamos a pedir ao Senhor da messe que envie mais operários, pois a messe é grande e os operários são poucos.


Maria Mãe da Igreja, São Francisco, Sant’Anna e todos os santos intercedam e inspirem pois o amor de Cristo nos impele. Amém!

Dom Pedro Luiz Stringhini

Bispo da Diocese de Mogi das Cruzes/SP

Mogi das Cruzes/SP, 13 de julho de 2019

Homilia por ocasião da Ordenação Diaconal da Fraternidade dos Pobres de Jesus Cristo

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